Luanda– Terminou no passado dia 2 de Julho o período de estágio dos finalistas do curso de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Ciências Religiosas de Angola, realizado na Uyele. Em Caxito, no Bengo, o estágio decorreu durante quatro meses na redacção da organização. Em Maio, também concluíram o processo na sede da Uyele em Luanda os estudantes Francisca José e Sílvio Francisco, do ICRA Luanda.
Durante semanas, os estudantes estiveram envolvidos em actividades práticas, com destaque para o jornalismo comunitário: cobertura de acontecimentos nas comunidades, recolha de informações e produção de conteúdos para a plataforma digital da Uyele.
Na cerimónia de encerramento, o Presidente da Direcção da Uyele, Rafael Morais, felicitou os jovens e agradeceu o empenho demonstrado ao longo do estágio.
“Foi uma satisfação acompanhar o vosso crescimento, partilhar experiências e contribuir para a vossa formação profissional e humana. A Uyele agradece o vosso contributo e deseja que continuem a trilhar um caminho de excelência, ética, compromisso e serviço às comunidades. As portas da nossa organização permanecerão sempre abertas”, disse Rafael Morais.
Do lado do Instituto, o coordenador de estágio, Augusto de Manhongo, sublinhou que o período na Uyele permitiu aos alunos conciliar a teoria aprendida em quatro anos de curso com a prática no terreno.
“Este estágio representou para os estudantes a oportunidade de aproximar a teoria da prática. Os alunos saem daqui bastante fortalecidos, com conhecimento prático sobre o exercício da comunicação, sobretudo no jornalismo comunitário. Fica em nós um sentimento genuíno de gratidão e a esperança de renovarmos esta parceria ano após ano”, afirmou Augusto de Manhongo.
Relatório aponta potencial e alerta para uso de IA
De acordo com o relatório final apresentado pelo jornalista e mentor João Afonso, que acompanhou o grupo em Caxito, os estudantes demonstraram interesse e disponibilidade, apesar de dificuldades como longas caminhadas, sol, chuva, poeira e limitações financeiras durante as coberturas.
O documento destaca, no entanto, um constrangimento: o recurso excessivo a ferramentas de Inteligência Artificial na elaboração dos textos. A diferença entre os trabalhos entregues para publicação e os exercícios feitos presencialmente na redacção levantou dúvidas quanto à autoria. Após conversa com o grupo, que reconheceu o uso frequente de IA, a redacção orientou que não seriam publicados conteúdos produzidos essencialmente por ferramentas digitais.
Na sequência, verificou-se uma redução da produção jornalística. Ao longo do estágio foram publicados trabalhos dos estudantes em Caxito, com destaque para Elisabete Jorge Manuel, Marieth Armando Pinto, Maria da Gama e Gerson Carneiro.
Para João Afonso, a IA deve ser usada como apoio, não como substituto do pensamento crítico. Entre as recomendações estão o hábito de leitura, investigação, uso responsável da tecnologia e postura ética e disciplinar.
“Em síntese: Recorrer à Internet: Sim. Utilizar a Inteligência Artificial como ferramenta de apoio: Sim. Substituir o pensamento humano pela Inteligência Artificial: Não”, conclui o relatório.
A Uyele garante que vai manter a colaboração com o Instituto Politécnico de Ciências Religiosas para receber novos grupos de estagiários nos próximos anos lectivos.
Por: Redacção Uyele
