O aumento do número de moto-taxistas que operam no Mercado do Kawango, em Caxito, província do Bengo, está a obrigar muitos profissionais a adoptar novas estratégias para atrair passageiros e garantir o sustento das suas famílias. A constatação foi feita durante uma visita ao local, onde a concorrência crescente tem transformado a forma como estes trabalhadores exercem a actividade.

Se antes bastava aguardar pelos clientes nos pontos habituais, hoje muitos moto-taxistas deslocam-se até às paragens de táxis, aos locais de desembarque de autocarros e hiaces — conhecidos popularmente como “azul e branco” — e a outros pontos de grande circulação de pessoas, numa tentativa permanente de captar passageiros.

Além da iniciativa de procurar clientes, a forma de abordagem tornou-se um factor decisivo. Educação, simpatia, respeito e boa apresentação são características cada vez mais valorizadas pelos passageiros e consideradas essenciais para se destacar num mercado cada vez mais competitivo.

Gerson, moto-taxista, afirma que a forte concorrência obriga os profissionais a serem mais dinâmicos.

“O nosso objectivo é ir atrás dos clientes, porque há muitos moto-taxistas a trabalhar no Mercado do Kawango. Essa dinâmica ajuda-nos a garantir o pão de cada dia. Temos de estar atentos às diferentes paragens, onde os passageiros descem, e perguntar para onde pretendem seguir dentro de Caxito”, explicou.
Armando, de 22 anos, trabalha na actividade há cerca de um ano e reconhece os riscos da profissão.

“Trabalhar na estrada é estar preparado para a morte. Estamos conscientes dos perigos, mas precisamos de trabalhar. Para conseguirmos algum rendimento no fim do dia, temos de correr atrás dos clientes e fazer o possível para equilibrar as contas”, afirmou.
Outro moto-taxista, que preferiu não ser identificado, diz que a actividade tem-se tornado cada vez mais exigente. Segundo ele, além da redução no número de passageiros, muitos profissionais trabalham com motorizadas pertencentes a terceiros e são obrigados a cumprir regras impostas pelos proprietários.

“Somos obrigados a seguir as orientações do patrão e responsabilizados por qualquer dano causado na motorizada. Por isso, o nosso principal foco é conseguir passageiros”, disse.
Num contexto marcado pelo aumento da concorrência e pela procura insuficiente para todos, os moto-taxistas de Caxito procuram adaptar-se às novas exigências do mercado. A criatividade, a persistência e a qualidade no atendimento tornaram-se factores determinantes para conquistar passageiros e assegurar o rendimento diário das suas famílias.

Texto: Maria da Gama