A província do Bengo registou 1.171 casos de gravidez precoce entre adolescentes a partir dos 13 anos de idade durante o primeiro trimestre de 2026. Os dados foram divulgados pelo Governo Provincial do Bengo durante uma palestra subordinada ao tema “Casamento Precoce e Gravidez na Adolescência”.

O número representa um aumento de cerca de 65 por cento em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registados 710 casos.

Para o sociólogo José Ventura, a gravidez precoce resulta de diversos factores sociais interligados, entre os quais a pobreza, a insuficiência da educação sexual e a fragilidade dos mecanismos de orientação familiar. Segundo o especialista, a falta de informação adequada torna muitas adolescentes mais vulneráveis a comportamentos de risco e contribui para o abandono escolar.

O académico considera preocupante o crescimento dos casos e defende que o enfraquecimento dos valores familiares e dos mecanismos tradicionais de controlo social tem contribuído para o agravamento do fenómeno.

Por sua vez, a psicóloga Ricardina Gonçalo sublinha que o impacto da gravidez precoce vai além das consequências para a saúde física, afectando também o equilíbrio emocional das adolescentes. De acordo com a especialista, muitas jovens enfrentam sentimentos de medo, insegurança, baixa autoestima e dificuldades para prosseguir os estudos, além da responsabilidade precoce de cuidar de um filho.

Ricardina Gonçalo defende que a prevenção deve começar no seio familiar, através de um diálogo aberto sobre sexualidade, responsabilidade e projecto de vida.

Em representação da ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Telma Castro afirmou que a iniciativa teve como objectivo sensibilizar a população para os impactos sociais, económicos e psicológicos da gravidez precoce e dos casamentos prematuros.

A governadora provincial do Bengo, Maria Antónia Nelumba, alertou para a necessidade de uma maior participação das famílias, escolas, igrejas e comunidades na orientação e protecção das adolescentes.

A reportagem da Uyele ouviu duas adolescentes de 16 anos que vivem esta realidade. As jovens, que preferiram manter o anonimato, afirmaram que a gravidez ocorreu de forma inesperada, mas garantem estar a enfrentar a situação com responsabilidade.

“É uma experiência nova para nós. Estamos conscientes de que nos tornámos mães muito cedo, mas procuramos encarar esta fase da vida com maturidade. Sabemos que existem dificuldades, mas também queremos construir um futuro melhor para os nossos filhos”, relataram.

A palestra foi promovida pelo Governo Provincial do Bengo, em parceria com o Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU), e decorreu recentemente no município da Barra do Dande, na localidade de Porto Quipiri, Bairro Boa Esperança II.

Por: Sílvia Mário