A redução dos índices de mortalidade em Angola deve ser uma das principais prioridades das autoridades sanitárias, defende o médico pediatra Adriano Manuel. Para o especialista, a construção de novas unidades sanitárias, por si só, não é suficiente para resolver os problemas urgentes do sector.

As considerações foram feitas durante o I Festival de Jornalismo Comunitário, promovido recentemente pela Uyele. Na ocasião, o médico destacou a necessidade de reforçar as medidas de prevenção e o trabalho de sensibilização junto das comunidades.

Ao abordar a realidade da província do Bengo, Adriano Manuel citou o Hospital Geral do Bengo Reverendo Guilherme Pereira Inglês, conhecido como Bucula, como exemplo de infraestrutura importante, mas que não resolve, isoladamente, os principais problemas de saúde enfrentados pelas comunidades.

“Os grandes hospitais não são a solução para os problemas de Angola, porque 90% das patologias que ocorrem nos nossos hospitais são preveníveis. Se trabalharmos com as comunidades e focarmos no saneamento básico, tenho a certeza absoluta de que esses problemas serão ultrapassados”, afirmou o entrevistado.

Adriano Manuel chamou igualmente a atenção para os elevados casos de tuberculose registados no Hospital Municipal do Dande. Segundo o médico, o combate à doença exige uma abordagem que vá além da construção e ampliação de infraestruturas hospitalares.

“Não vamos resolver o problema da tuberculose no Bengo apenas construindo grandes hospitais. Há muitos casos de tuberculose e precisamos fazer um trabalho de mobilização e mudar os hábitos alimentares das pessoas”, disse.

Saneamento básico entre os principais desafios

Os argumentos do especialista encontram respaldo em relatos recentes sobre a situação sanitária da província do Bengo. Segundo a DW África, entre as principais patologias registadas na região estão a malária e a cólera, doenças frequentemente associadas às más condições de saneamento básico.

Outro fator de preocupação é o perímetro irrigado de Caxito, onde o excesso de lixo acumulado nos canais de irrigação pode favorecer a proliferação de vetores e aumentar os riscos para a saúde das populações que vivem nas proximidades.

Para Adriano Manuel, a melhoria dos indicadores de saúde no país passa por uma estratégia integrada que combine a construção de infraestruturas sanitárias com o reforço da prevenção, do saneamento básico, da educação para a saúde e da mobilização comunitária.

A aposta nessas medidas, defende o pediatra, poderá contribuir para reduzir a incidência de doenças preveníveis e, consequentemente, os índices de mortalidade no país.

De acordo com o Portal oficial do Governo do Bengo, as autoridades sanitárias intensificaram, no início do ano, a vigilância epidemiológica, o saneamento básico e a melhoria da assistência médica para prevenir novas epidemias.

 

Por: Domingos Piriquito