A desactivação e consequente destruição da Feira da Liberdade, localizada no Golfe 2, município do Kilamba Kiaxi, está a gerar preocupação entre centenas de mulheres que dependiam da actividade comercial desenvolvida no local para sustentar as suas famílias.

Embora a discussão pública tenha incidido sobretudo sobre as proprietárias dos negócios, a realidade da feira envolve um universo muito maior de pessoas. Grande parte das mulheres que trabalhavam diariamente no espaço não eram proprietárias das bancadas, mas sim funcionárias contratadas pelas donas dos negócios para a venda de produtos diversos.

Com o encerramento da feira, muitas destas trabalhadoras receiam perder a sua principal fonte de rendimento, situação que poderá agravar a vulnerabilidade económica de dezenas ou mesmo centenas de agregados familiares numa conjuntura marcada pelo aumento do custo de vida e pela escassez de oportunidades de emprego formal.

Algumas das vendedeiras ouvidas manifestaram preocupação quanto ao futuro, afirmando desconhecer se as suas patroas conseguirão manter a actividade comercial nos novos espaços indicados pelas autoridades ou se haverá condições para preservar os postos de trabalho existentes.

A inquietação aumentou após a circulação de vídeos nas redes sociais nos quais algumas comerciantes denunciam alegadas falhas no processo de transferência para o Mercado da Tecnotúnel. As intervenientes afirmam ter sido surpreendidas pela medida e questionam as condições criadas para acolher todas as pessoas afectadas.

Entretanto, a Administração Municipal do Kilamba Kiaxi rejeitou as acusações e esclareceu que as informações divulgadas por algumas vendedoras não correspondem à realidade dos factos.

Em comunicado, a administração afirma que a Administradora Municipal nunca manteve contacto directo com as cidadãs que protagonizam os vídeos e desmente as alegações segundo as quais teria demonstrado desinteresse pela situação das comerciantes.

Segundo as autoridades, o processo de desocupação foi antecedido por notificações formais e por várias acções de sensibilização, realizadas com antecedência suficiente para permitir que as vendedeiras tomassem conhecimento das orientações e dos procedimentos definidos.

A administração sustenta ainda que os depoimentos divulgados representam apenas a posição de um grupo reduzido de pessoas e não reflectem o sentimento da maioria das comerciantes abrangidas pela medida. De acordo com a nota, muitas vendedeiras têm aderido gradualmente ao processo de transferência para o Mercado da Tecnotúnel.

As autoridades municipais explicam que a desactivação da Feira da Liberdade faz parte do Programa de Reordenamento do Comércio, que visa melhorar as condições de trabalho dos comerciantes, reforçar a segurança, promover a mobilidade urbana e garantir uma ocupação mais organizada dos espaços públicos.

Apesar destas garantias, permanecem dúvidas quanto ao impacto social da medida, sobretudo para as centenas de mulheres que trabalhavam como funcionárias dos estabelecimentos comerciais existentes na feira e que dependem exclusivamente dessa actividade para assegurar a alimentação, educação e assistência dos seus familiares.

Para muitos observadores, o verdadeiro desafio não se limita à transferência física das comerciantes para um novo espaço, mas passa também pela preservação dos meios de subsistência de todas as pessoas que integram a cadeia económica informal criada em torno da Feira da Liberdade ao longo dos últimos anos.

Por Redacção