O garimpo ilegal de ouro está a provocar o abandono escolar de dezenas de alunos do Liceu n.º 4000 Joaquim Paxe, no município de Bula Atumba, província do Bengo. Segundo a direcção da instituição, muitos estudantes, sobretudo rapazes da 10.ª e 11.ª classes, trocaram as salas de aula pela exploração artesanal de ouro, atraídos pela possibilidade de obter rendimentos rápidos.

O alerta foi lançado pelo subdirector pedagógico da escola, Marcelino Caculo Adão, durante o balanço do ano lectivo. De acordo com o responsável, o fenómeno teve impacto directo na frequência escolar, reduzindo significativamente o número de alunos em várias turmas. Embora a legislação estabeleça um limite de 45 estudantes por sala, algumas terminaram o ano com apenas 12 a 15 alunos devido às desistências.

Segundo Marcelino Caculo Adão, a maior parte dos abandonos ocorreu entre alunos da 10.ª e da 11.ª classes, enquanto os estudantes finalistas da 12.ª classe permaneceram maioritariamente na escola por estarem próximos de concluir o ensino médio.

“Este fenómeno aconteceu com maior incidência entre os alunos das décimas e décimas primeiras classes, onde registámos o maior número de desistências de rapazes. Quanto aos finalistas da 12.ª classe, o número foi reduzido, pois muitos estavam conscientes de que faltava pouco tempo para concluir o ensino médio”, explicou.

O subdirector afirmou que muitos jovens assumem abandonar os estudos para procurar ganhos imediatos no garimpo, actividade que lhes permite adquirir bens materiais, como motorizadas, num curto espaço de tempo.

“Eles próprios afirmam que querem ganhar dinheiro. Dizem que estão à procura de oportunidades para fazer a vida e, nesse processo, muitos compram motorizadas. Actualmente é visível o aumento do número de motorizadas em Bula Atumba, assim como o crescimento dos acidentes de viação, alguns dos quais terminam em morte. Esta situação está a comprometer seriamente o percurso académico dos nossos alunos”, lamentou.

Além do impacto na educação, o responsável alertou para as consequências sociais do fenómeno, apontando o aumento dos acidentes rodoviários envolvendo jovens e os riscos associados ao garimpo ilegal, actividade que já provocou mortes na região.

Perante este cenário, as autoridades governamentais e policiais têm intensificado as acções de combate à exploração ilegal de ouro, considerada uma ameaça à segurança das comunidades e ao futuro académico de muitos jovens.

Por João Afonso