A denúncia feita pelo Bispo de Caxito sobre o alegado desaparecimento de verbas destinadas à construção do Bispado continua a gerar reacções e levanta novas interrogações sobre o destino de recursos públicos que, segundo informações recebidas pela Diocese, terão sido disponibilizados, mas nunca chegaram ao projecto.
Perante as declarações de Dom Maurício Camuto, o analista político e docente universitário Manuel Fernandes defendeu uma investigação rigorosa para esclarecer o que aconteceu ao dinheiro e identificar eventuais responsabilidades.
Na análise divulgada pela plataforma digital Uyele, Manuel Fernandes considera que o caso não pode ser ignorado pelas autoridades competentes. Para o analista, se existirem registos que comprovem a disponibilização das verbas, torna-se indispensável apurar quem recebeu os recursos, por que razão a obra nunca saiu do papel e onde foi aplicado o dinheiro.
“O país precisa de respostas. Sempre que surgem denúncias desta natureza, cabe às instituições competentes investigar, reunir provas e esclarecer os factos”, sustenta o docente.
Na sua opinião, as informações conhecidas até ao momento justificam a abertura de averiguações, uma vez que coexistem duas versões que não se conciliam: por um lado, a informação de que o Executivo terá disponibilizado recursos financeiros para a construção do Bispado; por outro, a garantia da Diocese de que nunca recebeu qualquer verba.
Para Manuel Fernandes, o esclarecimento do caso ultrapassa os interesses da Igreja Católica. O analista defende que está em causa a credibilidade da gestão dos recursos públicos e a confiança dos cidadãos nas instituições, razão pela qual considera imprescindível que o processo seja esclarecido de forma transparente.
A polémica surgiu depois de o Bispo de Caxito revelar que tomou conhecimento da alegada existência dessas verbas através de uma pessoa ligada ao processo.
“Recebemos a informação de que o Governo anterior disponibilizou verbas para a construção do Bispado, mas, infelizmente, alguém apropriou-se desses recursos, não os aplicou na obra e a infraestrutura nunca foi construída”, afirmou Dom Maurício Camuto.
Apesar da gravidade da denúncia, o prelado fez questão de esclarecer que não possui elementos que lhe permitam apontar responsabilidades concretas nem identificar os autores do alegado desvio.
Questionado sobre quem poderá ter ficado com o dinheiro, Dom Maurício Camuto respondeu que desconhece o percurso seguido pelos recursos, admitindo apenas que a situação poderá estar relacionada com o circuito administrativo de disponibilização das verbas.
O Bispo explicou que apenas tomou conhecimento da existência do financiamento quando foi abordado por uma pessoa que lhe perguntou pelo estado da construção do Bispado.
“Perguntaram-me como estava o Bispado e se a obra já tinha sido concluída. Fiquei surpreendido, porque nunca recebi qualquer verba, nem vi o início da construção”, declarou.
Sem o edifício prometido, a Diocese de Caxito continua a funcionar nas instalações do Centro Sócio-Pastoral São João Paulo II, um espaço concebido para outras finalidades e que necessita de obras de manutenção.
Apesar das dificuldades, Dom Maurício Camuto informou que a Diocese já dispõe do terreno onde o futuro Bispado será erguido e que o projecto arquitectónico da infraestrutura já foi concluído.
No entender de Manuel Fernandes, a decisão do Bispo de tornar pública a situação representa um passo importante para que o caso seja esclarecido. O analista considera que, perante uma denúncia desta natureza, cabe agora às autoridades confirmar se as verbas chegaram efectivamente a ser disponibilizadas, identificar o respectivo circuito financeiro e apurar eventuais responsabilidades.
Até ao momento, não existe qualquer investigação pública conhecida sobre o caso, nem foi divulgada uma posição oficial das entidades eventualmente envolvidas.
Por Sílvia Mário
