Centenas de agricultores e moradores da comuna das Mabubas, no município do Dande, vivem dias de incerteza após a abertura das três comportas da barragem das Mabubas, provocada pela subida do nível das águas devido às chuvas intensas que caem nas províncias do Bengo e do Uíge. A descarga da barragem já inundou zonas de produção agrícola no bairro Caboxa e aumentou o receio de transbordo do rio, colocando várias comunidades em estado de alerta.
As chuvas registadas com frequência nos municípios do Nambuangongo e Bula Atumba levaram à saturação da albufeira da barragem, obrigando as autoridades a procederem à abertura total das comportas para evitar danos maiores na infraestrutura.
Com a subida do caudal do rio, bairros como Bambuca, Mifuma, Kijoão Mendes, Kixikela e Kingombe enfrentam momentos de apreensão. Moradores relatam medo constante de novas inundações, enquanto agricultores contabilizam prejuízos causados pela água que invadiu lavras e áreas de cultivo.
No bairro Mifuma, o cidadão Feliciano Paulino manifestou preocupação com o estado do dique de protecção existente na região. Segundo ele, a estrutura apresenta sinais visíveis de degradação e já não oferece garantias de segurança às comunidades ribeirinhas.
“Quando a água aumenta, todos ficamos preocupados porque o dique já não está em boas condições. Temos medo que aconteça uma tragédia”, afirmou.
Apesar do perigo, muitos moradores continuam a frequentar o rio para actividades domésticas e pesca artesanal. A presença frequente de crianças nas margens preocupa líderes comunitários, que alertam para o risco de acidentes e afogamentos.
Já José Vicente e Domingos Calembe, moradores do bairro Kingombe, consideram que a situação se repete todos os anos sem uma solução definitiva por parte das autoridades.
“É notório vermos esta situação sempre no período chuvoso. Entregamos tudo a Deus e aproveitamos a ocasião para apelar à intervenção urgente das autoridades”, disseram.
Os moradores defendem a reabilitação urgente dos diques de protecção e a criação de mecanismos permanentes de prevenção para evitar perdas humanas e prejuízos no sector agrícola, uma das principais fontes de sustento das famílias da região.
Texto: Domingos Piriquito
