Um caso trágico ocorrido na província do Bengo está a gerar forte indignação na comunidade e volta a chamar a atenção para o problema da violência contra as mulheres. Uma jovem perdeu a vida após sofrer graves queimaduras num incêndio alegadamente provocado por um pretendente. A vítima permaneceu vários dias internada no hospital, mas acabou por não resistir.
O episódio ganha ainda mais repercussão por acontecer em Março, mês dedicado à reflexão sobre os direitos, a dignidade e a protecção das mulheres, marcado pelo Dia Internacional da Mulher.
A vendedeira ambulante Madalena António considera que ser mulher implica enfrentar muitos desafios diariamente. Segundo ela, um dos maiores problemas é lidar com homens sem educação e sem respeito pela vida das mulheres.
“Um dos desafios é aturar homens sem educação que nunca lhes foi negada a vida, mas ainda assim tiram a vida de muitas mulheres, seja física, psicológica ou emocionalmente”, afirmou.
A interlocutora aproveitou a ocasião para incentivar as mulheres a estarem atentas aos sinais de violência e a denunciarem qualquer tipo de abuso, independentemente de quem seja o agressor, mesmo que seja o pai dos filhos.
Também Teresa Bita, mãe de família, lamenta o sofrimento silencioso vivido por muitas mulheres dentro dos próprios lares.
“Muitas mulheres ainda sofrem caladas dentro das suas próprias casas. É importante que a sociedade apoie e encoraje as mulheres a denunciarem qualquer forma de violência”, disse.
Para a estudante Suzana Massolale, a morte da jovem representa uma perda irreparável para a família e para a sociedade.
“É uma vida que se cala sem ter tido oportunidade de se explicar, numa sociedade onde ainda faltam muitas condições. Defendo que existam consultas psicológicas gratuitas todos os dias para os estudantes, pois muitos jovens têm dificuldades em comunicar os seus problemas.”
Já a anciã e camponesa Feliciana Catarina destacou o papel fundamental da mulher na comunidade, seja no campo, na escola ou em casa, defendendo a necessidade de maior valorização das mulheres.
Por sua vez, a professora Olga Pinto sublinha que a educação é um elemento essencial para promover a mudança de mentalidade necessária para combater a violência e as desigualdades.
A professora e empreendedora Sílvia Cololo considera que muitos comportamentos violentos observados entre jovens reflectem problemas emocionais e sociais que precisam de atenção. Segundo ela, essas atitudes têm frequentemente origem em frustrações, falta de educação emocional e dificuldades na gestão de conflitos.
Sílvia Cololo alerta ainda que nenhuma mulher deve sentir-se obrigada a permanecer numa relação que coloque em risco a sua dignidade, segurança ou saúde mental. O autoconhecimento, o respeito mútuo e a definição de limites são fundamentais para prevenir situações de violência e manipulação emocional.
A especialista defende também que a sociedade deve educar os jovens para relações saudáveis, baseadas no diálogo, respeito e responsabilidade. Muitas atitudes negativas, segundo explica, resultam da falta de orientação emocional desde a infância.
Por fim, Sílvia Cololo deixou uma mensagem de reconhecimento e valorização do papel da mulher na família e na construção da sociedade. Reforçou ainda a importância da união, solidariedade e respeito entre mulheres, lembrando que as conquistas alcançadas ao longo da história devem ser preservadas e fortalecidas pelas gerações actuais.
Por: Sílvia Mário
