O combate à violência baseada no género esteve no centro das atenções no último fim-de-semana, na província do Bengo, com a realização de uma mesa-redonda promovida por um grupo de mulheres, com o objectivo de sensibilizar a sociedade para a gravidade da violência doméstica, um fenómeno que continua a registar números preocupantes em Angola.

A iniciativa foi amplamente elogiada pelas participantes, que defenderam a continuidade de acções do género como forma de reforçar a consciência social, promover uma cultura de respeito, igualdade e protecção dos direitos humanos, e encorajar a denúncia dos casos de violência.

Uma das participantes, Brigit Paulo, sublinhou que o silêncio continua a ser um dos principais obstáculos no combate à violência baseada no género, apelando às vítimas para que procurem apoio junto das autoridades competentes e dos serviços sociais.

Por sua vez, a professora Maria Simão considerou o encontro frutífero, defendendo a necessidade de reforçar a união entre as mulheres e quebrar tabus em torno do tema.
“Ninguém deve caminhar só. É preciso fortalecer a nossa união, falar sem tabus e cultivar o espírito de denúncia”, afirmou.

A mentora do grupo, Ana Lemos, apresentou os principais objectivos da iniciativa, destacando que o propósito central é criar um espaço seguro, sério e inclusivo de reflexão e debate sobre a violência baseada no género, reconhecida como uma grave violação dos direitos humanos e um crime que não pode continuar a ser normalizado, silenciado ou ignorado.

“Pretendemos, acima de tudo, sensibilizar a sociedade para a urgência do silêncio zero. Quando nos calamos diante da violência, tornamo-nos cúmplices dela. Denunciar é um acto de coragem, de cidadania e de protecção à vida”, afirmou.

A responsável acrescentou ainda que a mesa-redonda serviu igualmente para esclarecer os mecanismos legais e institucionais existentes para a protecção, acompanhamento e reintegração das vítimas, bem como para reforçar o papel das instituições do Estado na prevenção e no combate eficaz à violência baseada no género.

Reconhecendo o impacto da problemática, que tem deixado várias mulheres traumatizadas e famílias desestruturadas, a directora provincial da Acção Social, Família e Igualdade do Género do Bengo, Marcelina Matari, destacou a importância do repúdio público à violência baseada no género e defendeu o reforço das acções de prevenção, protecção e assistência às vítimas.

O encontro decorreu na Sala de Assembleia da Administração Municipal do Dande, em Caxito, e contou com a presença de diversas entidades. No final, os participantes reiteraram o compromisso de promover mais acções de sensibilização junto das comunidades, escolas e igrejas da província, sublinhando que a violência baseada no género é uma responsabilidade colectiva que exige acção contínua e reflexão permanente.

Por: Sílvia Mário