A decisão da Comissão Nacional Eleitoral de Angola de aprovar 72 empresas para fornecer materiais e serviços destinados às próximas eleições gerais volta a colocar no centro do debate a presença da controversa empresa espanhola Indra Sistemas, que regressa ao processo tecnológico eleitoral do país.
A empresa, responsável por plataformas tecnológicas usadas no apuramento de resultados em eleições anteriores, volta a surgir no processo eleitoral angolano, reacendendo críticas de partidos da oposição e de sectores da sociedade civil que, ao longo dos anos, têm questionado a transparência e a independência dos sistemas utilizados nas votações.
De acordo com informações divulgadas pela Comissão Nacional Eleitoral, das 237 empresas que manifestaram interesse em participar nos concursos públicos, apenas 72 foram consideradas elegíveis para avançar para as fases seguintes de contratação. Os concursos visam garantir desde equipamentos informáticos até serviços logísticos e materiais necessários para a organização das eleições.
Contudo, o regresso da Indra Sistemas é o ponto que mais tem gerado controvérsia. A empresa espanhola já participou na gestão tecnológica de vários processos eleitorais em Angola, incluindo as eleições de 2008, 2012, 2017 e 2022, mantendo uma presença quase permanente na infraestrutura digital que suporta o sistema eleitoral do país.
Críticos consideram preocupante a repetição da escolha da mesma empresa ao longo de diferentes ciclos eleitorais, argumentando que tal situação levanta dúvidas sobre a diversificação de fornecedores e a transparência na contratação de soluções tecnológicas para um processo considerado crucial para a democracia.
Apesar das críticas, a Comissão Nacional Eleitoral sustenta que os concursos seguem os trâmites legais e garantem igualdade de oportunidades entre os concorrentes. O órgão eleitoral afirma ainda que os critérios utilizados na selecção das empresas obedecem às exigências técnicas e administrativas previstas na legislação.
Com as eleições gerais previstas para 2027, o regresso da Indra Sistemas ao centro da organização tecnológica do processo eleitoral promete voltar a alimentar o debate político sobre a credibilidade e a transparência das eleições em Angola.
