Depois de anos a conviver com uma estrada degradada, os moradores do Calemba 2 começam, finalmente, a vislumbrar sinais de mudança com o arranque das obras de reabilitação da via principal.
A intervenção insere-se no programa de requalificação das vias estruturantes de Luanda e abrange troços importantes de ligação, como a estrada que conecta o Calemba 2 à Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem “Loy”. O projecto prevê melhorias profundas na mobilidade urbana, incluindo pavimentação, instalação de iluminação pública, reforço da segurança rodoviária e implementação de sistemas de drenagem para escoamento das águas pluviais.
Noutra frente, a reabilitação da conhecida Avenida Luther Rescova, numa extensão de cerca de 6,8 quilómetros, contempla igualmente passeios, vias de serviço, passagens pedonais e infra-estruturas de drenagem, com um prazo de execução estimado em 15 meses.
“Era muito complicado passar aqui. Quando chovia, era só lama; quando fazia sol, era poeira por todo o lado. Já estávamos mesmo cansados dessa situação”, relatou um morador, descrevendo as dificuldades que marcaram o quotidiano do bairro durante anos.
Ao longo desse período, buracos profundos, lama na época chuvosa e poeira constante nos dias secos faziam parte da rotina, condicionando não só a circulação de viaturas, mas também a mobilidade de peões. A situação acabava por afectar o comércio local e limitar o acesso a serviços básicos, agravando os constrangimentos para quem vive e trabalha na zona.
Com máquinas já no terreno e equipas em plena actividade, o cenário começa a mudar. Os primeiros avanços são visíveis e alimentam um sentimento generalizado de alívio e expectativa entre os moradores.
“A estrada estava mesmo em más condições, era difícil circular aqui”, afirmou outro residente, satisfeito com o início das intervenções.
Apesar do optimismo, persistem algumas inquietações. A aproximação da época chuvosa levanta dúvidas entre os munícipes, que receiam o reaparecimento dos problemas caso as obras não sejam executadas com a devida qualidade.
Núria Kala, estudante e residente no Calemba 2, resume esse sentimento: “Estamos contentes, porque já fazia falta uma estrada em condições. Mas também há receio… se o trabalho não for bem feito, a chuva pode estragar tudo outra vez.”
Especialistas sublinham que a durabilidade da reabilitação dependerá, sobretudo, do rigor na execução, com destaque para a implementação de sistemas de drenagem eficazes, fundamentais para suportar o impacto das chuvas intensas.
Enquanto os trabalhos prosseguem, os moradores acompanham atentamente cada etapa da obra, divididos entre a esperança de uma melhoria efectiva nas suas condições de vida e o receio de que os erros do passado voltem a repetir-se.
Por: Francisca José
