Texto de Evânia dos Anjos

Quinze anos após a transferência dos antigos vendedores do extinto mercado Roque Santeiro, em Luanda, para o actual Mercado do Panguila, localizado na província do Bengo, o espaço enfrenta um cenário preocupante, marcado por bancadas vazias e pela fuga massiva de comerciantes para mercados situados na capital do país.

De acordo com a administração do mercado, a ausência de políticas adequadas tem dificultado a fixação dos vendedores e a atracção de clientes. A informação foi avançada pelo secretário da administração do referido mercado, Muangana José Sapalalo, que apontou vários factores como principais causas da situação.

“Diversos aspectos contribuíram para o abandono do mercado, entre eles a distância, o mau estado das vias de acesso, os constantes roubos e a escassez de alguns produtos, o que resulta na redução do número de clientes”, explicou.

Segundo o responsável, a maioria dos comerciantes que abandonaram o Panguila exerce actualmente actividade nos mercados do 30, Asa Branca, Catinton e Kikolo, todos localizados em Luanda, facto que continua a afastar potenciais clientes do mercado do Bengo.

Aspecto parcial do Mercado do Panguila, que enfrenta redução de comerciantes e de clientela.

Em declarações à nossa reportagem, Guilherme Cristóvão Makaya, comerciante há seis anos no Panguila, revelou já ter sido vítima de assaltos, tendo perdido um telefone e uma quantia em dinheiro.

Outro vendedor, António Paca, denunciou a precariedade dos serviços básicos, destacando a falta de água, energia eléctrica e segurança como as principais dificuldades enfrentadas no local.

A fraca afluência de clientes também preocupa o comerciante António, que aponta a distância como um dos maiores entraves. “Não é fácil alguém sair de Luanda para vir ao Bengo, quando já existem vários mercados mais próximos”, afirmou.

Recorde-se que o Mercado do Panguila está situado no município com o mesmo nome, na província do Bengo, e foi inaugurado a 5 de Outubro de 2010. O espaço dispõe de 5.376 bancadas, das quais apenas 1.447 estão em funcionamento. Apesar de ter capacidade para albergar cerca de 12 mil vendedores, conta actualmente com aproximadamente 1.400 comerciantes activos.