O presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), Simão Formiga, foi colocado em liberdade na tarde desta quarta-feira, 7 de Maio, depois de dois dias detido sem acusação formal. Em declarações ao sair da esquadra, classificou a detenção como “decisão política”.

Simão Formiga foi detido na segunda-feira, 5 de maio, após apoiar uma manifestação de finalistas do Instituto Superior Politécnico Kangonjo, em Luanda.

Os estudantes reclamam a marcação das defesas de trabalhos de fim de curso, cujos emolumentos foram pagos há mais de três anos. Cada finalista desembolsou mais de 500 mil kwanzas.

Além de Formiga, outro membro da direção do MEA também foi detido. Ambos foram libertados sob termo de identidade e residência e terão de se apresentar mensalmente ao Ministério Público.

“Entendemos que é uma decisão política porque não foi cometido nenhum crime no ato da manifestação. Foi pacífica, em frente à instituição, por causa das irregularidades e da prepotência da própria instituição”, declarou Formiga.

O líder estudantil esclareceu que não foi detido no protesto. “A polícia deteve-me na esquadra, porque vim saber da situação do nosso elemento que estava detido. Aproveitando-se da minha presença, a polícia tirou proveito disso e procurou deter-me”.

Foi transferido da Esquadra 22 de janeiro para o Comando Municipal do Sequele. “Passámos a noite lá, mas sem nenhum crime, sem nenhum processo. O queixoso não incluía o meu nome, mas a polícia entendeu que tinha de me deter porque era o elemento essencial para eles”, afirmou.

“Ficámos dois dias detidos, três dias praticamente. Questionávamos: qual o crime? Quem é o queixoso? Mas nem a polícia, nem o próprio instituto tinha um crime contra nós”, denunciou.

Três anos sem diploma é extorsão

Formiga explicou o motivo do protesto: “São estudantes que terminaram há três anos e pagaram mais de 517 mil kwanzas. São mais de 500 estudantes. A instituição não avalia os trabalhos de fim de curso, não dá certificado, não dá notas. Não conseguem participar da outorga”.

“É um abuso, uma extorsão. Os estudantes estão lesados, frustrados”, acrescentou. O presidente do MEA alegou ainda que “o dono da instituição, por ser alguém ligado ao MPLA e ter alguma força, algum poder, vai abusando dos estudantes”.

Até ao fecho desta edição, a direção do Instituto Superior Politécnico Kangonjo e a Polícia Nacional não se pronunciaram sobre as detenções nem sobre o atraso de três anos na marcação das defesas.
O MEA já anunciou que vai intentar acções judiciais contra a polícia e a direção do instituto.