Durante a transmissão em directo do programa de entretenimento “Minhas Ketas”, da Rádio Nacional de Angola, apresentada pelo ministro do Interior, Manuel Homem, internautas invadiram a página do governante com comentários que clamavam por justiça para Belma, uma jovem vítima de abuso sexual por dois homens em Viana, cujo vídeo do crime circulou amplamente nas redes sociais.

Em resposta à pressão, o ministro publicou em seu perfil oficial:
“Estamos a acompanhar desde o primeiro momento o caso de agressão sexual cujo vídeo circula nas redes sociais. Os nossos órgãos já detiveram um dos implicados e decorrem diligências para a detenção do comparsa, para a devida responsabilização criminal.”

Paralelamente, o Serviço de Investigação Criminal (SIC), através da Direcção de Combate aos Crimes Contra as Pessoas, deteve no dia 26 de Dezembro um cidadão de 26 anos em Luanda, acusado de agressão sexual com penetração, ameaças, devassa da vida privada e contágio de doença sexualmente transmissível, tendo como vítima uma jovem de 21 anos. O crime, cujo vídeo se tornou viral, ocorreu no bairro dos Ramiros, município de Belas. O acusado atraiu a vítima até uma obra abandonada, próxima a uma praia, e submeteu-a a acto sexual forçado. Foi detido ao tentar contactar novamente a vítima, propondo a gravação de outro vídeo para simular um noivado e justificar a divulgação do conteúdo sem consentimento.

Em meio a este contexto, o activista Dago Nível denunciou que a direcção da OMA – braço feminino do MPLA –, juntamente com a direcção dos serviços sociais do município de Viana, tenta convencer a mãe da menina a autorizar a retirada da criança do seio familiar para um lar de acolhimento, alegando que o afastamento seria necessário para protegê-la do bullying no bairro.

Dago Nível criticou a medida, afirmando que esta configuração constitui uma forma de violência simbólica praticada pelo Estado, argumentando que:

“No momento como este, o melhor e mais seguro lugar para a criança é ao lado da sua família, onde existem vínculos afetivos, proteção emocional e reconhecimento da sua dor. Longe de serem neutros, muitos lares de acolhimento acabam por perpetuar formas de violência psicológica contra meninas e mulheres em condição de abuso. Separar a menina da sua família, neste contexto, não é proteção. É apagamento. É mais uma camada de violência.”

Autoridades, sociedade civil e activistas destacam a gravidade destes casos, que configuram violência sexual e exposição de nudez de mulheres nas redes sociais, reforçando o compromisso em proteger as vítimas, garantir justiça e respeitar os direitos das crianças e das famílias envolvidas.