A insuficiência de transportes públicos e privados continua a ser uma das maiores preocupações em vários pontos da província do Bengo. Um exemplo claro dessa realidade é a zona do Caboxa, que faz ligação com o município sede e enfrenta sérias dificuldades de mobilidade.

Diante da escassez de táxis e outros meios convencionais, as motorizadas surgem como a principal alternativa para o transporte de pessoas e bens. A zona do Caboxa localiza-se a norte da cidade  de Caxito, o município sede da província do Bengo (município do Dande). A distância por estrada entre o Caboxa e o centro de Caxito é relativamente curta, situando-se aproximadamente entre 15 a 25 quilómetros, dependendo do ponto exacto de partida no Caboxa.

António Lombe, um dos moradores mais antigos do bairro, expressa o desejo de ver uma maior presença das autoridades na comunidade, para que compreendam melhor a realidade local.

“Temos vivido dificuldades com a falta de táxi. O único meio de transporte que liga o bairro ao município sede é a motorizada, e o preço ronda os 300 kwanzas por corrida”, afirmou.

Além disso, António, que também se dedica à agricultura, queixa-se da dificuldade no escoamento dos produtos, devido à falta de transporte adequado. Segundo ele, muitas vezes é necessário alugar viaturas em pontos como Sassa ou na praça do Cawango.

Sem alternativas, agricultores acabam por transportar os seus produtos em motorizadas, o que representa riscos, sobretudo em períodos chuvosos. De acordo com relatos, já ocorreram quedas frequentes envolvendo passageiros e motoqueiros nessas condições.

A situação também afecta os estudantes, que enfrentam obstáculos diários para chegar às escolas.

“Os mototaxistas não aceitam entrar em algumas zonas e, quando aceitam, aumentam o preço da corrida de 300 para 400 kwanzas. Por isso, somos muitas vezes obrigados a percorrer longas distâncias a pé”, lamentaram.

Os estudantes apelam ao governo provincial para a criação de políticas que ajudem a resolver o problema, garantindo melhores condições de transporte para a população local e para todos aqueles que se deslocam diariamente ao bairro por motivos académicos, profissionais ou outros.

Pinto, um dos mais velhos da comunidade, reforça a necessidade de intervenção governamental, especialmente no apoio aos estudantes.

“Nós somos esquecidos em tudo. Não há nada de especial aqui. O governo não quer saber se estamos bem ou não. Vivemos mal”, desabafou.

Por sua vez, um mototaxista, que preferiu manter o anonimato, mostrou preocupação com as condições precárias do bairro, sobretudo a falta de iluminação pública.

“Faço serviço de táxi há seis anos. Vou à Caboxa levar passageiros, mas depois das 17 horas já não arrisco circular por lá devido à falta de iluminação”, explicou.

Importa referir que o bairro Caboxa deve o seu nome ao estabelecimento penitenciário com a mesma designação existente na zona. Ainda assim, os moradores continuam a enfrentar grandes dificuldades, sendo a falta de transportes uma das principais queixas da população.

Por: Evánia dos Anjos