Caxito – Apesar da sinalização e barreiras instaladas para delimitar o trecho em obras na rua Comandante Arguelles, no centro de Caxito, dezenas de moto-taxistas continuam a transitar diariamente pelo local, colocando em risco a própria segurança e a de operários que atuam na reabilitação da via.
A obra, iniciada há três semanas pela Empresa Provincial de Construção (EPC), prevê a requalificação do pavimento e drenagem num troço de aproximadamente 400 metros — área oficialmente interditada à circulação de veículos e peões desde o dia 20 de janeiro.
“Não temos alternativa”, dizem condutores
Para Domingos Manuel, 38 anos, moto-taxista há mais de uma década, a opção por usar o troço interditado é uma questão de sobrevivência. “A via alternativa acrescenta 15 minutos à corrida e os clientes recusam pagar o acréscimo. Se não passarmos aqui, perdemos o dia”, justifica, enquanto aguarda passageiros próximo à barreira de acesso.
Outros condutores ouvidos pela reportagem repetem o mesmo argumento: a falta de uma rota alternativa eficiente e sinalizada torna o desvio inviável durante o horário de pico.
Riscos evidentes
Na manhã desta quinta-feira (12), a equipa de reportagem presenciou pelo menos sete motocicletas a ultrapassarem as barreiras de madeira — algumas delas transportando dois passageiros sem capacete. Operários da obra, por sua vez, expressam preocupação. “Já tivemos dois sustos esta semana. Um tijolo caiu perto de uma moto que passava em alta velocidade”, relata António Fernando, encarregado da obra.
Autoridades reconhecem desafio
Em nota enviada à redação, a Administração Municipal de Caxito admite a dificuldade de fiscalização contínua no local e anuncia reforço da presença da Polícia Nacional a partir da próxima semana. “Estamos a trabalhar em conjunto com a EPC para melhorar a sinalização e instalar barreiras mais resistentes. Também será lançada uma campanha de sensibilização junto aos condutores”, informa o documento.
A 3ª Esquadra da Polícia Nacional em Caxito confirma que, desde o início das obras, foram aplicadas 14 multas por infração ao código de estrada no referido troço — número considerado baixo face ao fluxo diário estimado de mais de 50 motocicletas.
População pede solução urgente
Moradores da zona criticam a situação. “É perigoso para todos: para quem trabalha, para quem passa de moto e até para nós que moramos aqui perto”, afirma Maria João, comerciante local. “As autoridades devem agir rápido antes que aconteça um acidente grave.”
Perspectiva
A obra deverá ser concluída até meados de abril. Enquanto isso, o impasse entre necessidade de mobilidade e segurança pública permanece — exigindo, segundo especialistas em mobilidade urbana, não apenas fiscalização, mas também planeamento de rotas alternativas viáveis e diálogo com associações de moto-taxistas.
Por : Domingos Piriquito