Caxito — Uma motorizada distribuída pela Administração Municipal do Dande, no âmbito do programa de combate à cólera, está no centro de uma controvérsia no bairro Mubungo, em Caxito. Moradores acusam o Presidente da Comissão de Moradores local de utilizar o meio para fins pessoais, em vez de garantir o seu uso comunitário.
O equipamento fazia parte de um conjunto de meios atribuídos para reforçar a recolha de lixo nos principais bairros da cidade. Segundo residentes, nos primeiros meses após a entrega, a motorizada esteve efetivamente ao serviço da comunidade, com recolhas regulares e envolvimento de jovens da zona.
De acordo com relatos, os moradores contribuíam com uma taxa de 100 kwanzas para cobrir despesas com combustível e remuneração dos operadores. No entanto, a situação terá mudado com o tempo, levando à interrupção do serviço.
“Há muito tempo que não vemos a motorizada a funcionar no bairro. No início, o projeto ajudava inclusive a ocupar jovens e a reduzir pequenos crimes, mas depois eles foram afastados sem explicação”, afirmou António Ribeiro, residente.
Um dos jovens anteriormente envolvidos no serviço, identificado como Máximo, disse que trabalhou durante cerca de três semanas antes de ser dispensado. “A motorizada foi retirada sem aviso e fomos acusados de desviar dinheiro”, relatou.
Outros moradores também alegam que o meio passou a ser utilizado de forma privada, deixando de cumprir a sua função comunitária.
Contactado sobre o assunto, o Presidente da Comissão de Moradores, João Fernandes, negou as acusações de apropriação indevida. Segundo explicou, a paralisação do serviço deve-se à falta de contribuição por parte da população. “A motorizada exige combustível e manutenção frequente, mas a comunidade não tem colaborado”, afirmou.
Entretanto, moradores alertam para o aumento do acúmulo de lixo no bairro, situação que poderá agravar os riscos à saúde pública, sobretudo num contexto de prevenção de surtos de cólera.
Texto: Domingos Piriquito
