A província de Luanda poderá voltar a enfrentar sérios problemas de acumulação de resíduos sólidos, na sequência da greve iniciada por mais de 2.500 trabalhadores da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (ELISAL). A paralisação, com duração prevista de 15 dias, visa pressionar a entidade patronal a atender um conjunto de reivindicações laborais apresentadas pelos funcionários desde o final de 2025.
De acordo com a comissão sindical, a greve havia sido inicialmente agendada para Janeiro deste ano, mas acabou suspensa após negociações entre os representantes dos trabalhadores e a direcção da empresa. No entanto, os sindicalistas alegam que os compromissos assumidos não foram cumpridos, levando os funcionários a retomar a contestação.
Entre as principais reivindicações constam a actualização salarial, melhorias nas condições de trabalho e maior valorização dos trabalhadores com mais anos de serviço. O sindicato denuncia ainda alegadas promoções de funcionários recém-admitidos em detrimento de quadros experientes, bem como diferenças salariais consideradas injustificadas entre sectores da empresa.
Os representantes dos trabalhadores citados pelo Novo Jornal defendem um aumento salarial de 50% para os operários e de 25% para os funcionários administrativos. Segundo o sindicato, a administração da ELISAL justifica a impossibilidade de atender às exigências com dificuldades financeiras, argumento contestado pelos grevistas, que apontam para a contratação recente de novos trabalhadores.
A paralisação reacende preocupações sobre o impacto na recolha de resíduos em Luanda. Históricos anteriores mostram que greves na ELISAL provocaram rápida acumulação de lixo em contentores e vias públicas, sobretudo em municípios sob responsabilidade da empresa.
Caso não haja entendimento entre as partes nos próximos dias, a greve poderá agravar os desafios de saneamento urbano da capital, numa altura em que a gestão dos resíduos continua a ser uma das principais preocupações dos moradores de Luanda.
Por Redacção/ NJ
