A Direcção do Instituto Superior Politécnico de Kangonjo (ISKA) esclareceu, esta quarta-feira, 6 de Maio, que “não detém competência legal para ordenar detenções”, desmentindo categoricamente qualquer envolvimento na prisão do presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), Simão Formiga. Em comunicado, o instituto garante ainda que os processos de conclusão de curso “decorrem com normalidade”.

O comunicado, enviado à imprensa e à comunidade académica, surge na sequência das acusações públicas formuladas pelo MEA após a detenção de Simão Formiga, ocorrida nas instalações do ISKA.
“A Direcção do ISKA vem esclarecer que não detém competência legal para ordenar detenções, desmentindo, assim, as informações divulgadas relativamente ao caso do Presidente do MEA”, lê-se no documento.
Face às denúncias de atrasos nas defesas de Trabalhos de Fim de Curso (TFC) — que afectariam mais de 500 estudantes —, o ISKA assegura que “os processos de conclusão de curso decorrem com normalidade”.
O instituto sublinha que os TFC são avaliados por “júris especializados”, com recurso a “tecnologia de detecção de plágio”, garantindo “a titulação regular dos estudantes”. Reforça ainda que “realiza cerimónias de outorga de graus de forma ininterrupta desde 2015”.
Versão do ISKA sobre o incidentes de 4 de Maio
Sobre os factos que motivaram a intervenção policial, a Direcção do ISKA afirma que “os integrantes do MEA não se identificaram nem procuraram obter informações junto dos órgãos da instituição”.
O comunicado acrescenta que “uma parte considerável dos participantes não possuía vínculo com o ISKA” e que se registaram “perturbações à ordem e ao normal funcionamento do espaço académico”.
“Face ao desacato às orientações do pessoal de segurança interna, foi solicitada a intervenção das autoridades competentes”, justifica a instituição.

A direcção do ISKA reafirma o seu “compromisso com a liberdade de expressão, a convivência democrática e a excelência académica”, apelando à “responsabilidade na divulgação de informações”.

Simão Formiga, presidente do MEA, foi detido na segunda-feira após apoiar um protesto de finalistas que alegam ter pago mais de 500 mil kwanzas há três anos, sem que lhes tenha sido marcada defesa de TFC. O dirigente estudantil foi libertado na quarta-feira, sob termo de identidade e residência.