A falta de água potável no bairro Paranhos, município do Dande, província do Bengo, é um problema antigo que remonta aos anos 70 e continua a deixar a população entregue à própria sorte. Sem acesso regular ao abastecimento público, os moradores são obrigados a recorrer a poços, riachos e a um antigo canal de irrigação para garantir o consumo diário de água.
Texto de Domingos Piriquito
A comunidade depende sobretudo da época chuvosa para recolher água do referido canal de irrigação, que durante o período seco permanece praticamente abandonado e acumulado com lixo, tornando a água imprópria para o consumo humano.
Dona Domiela Marcelino, moradora da localidade, explicou que a água retirada do canal é utilizada tanto para beber como para a realização de tarefas domésticas. Para minimizar os riscos à saúde, afirmou que recorre ao uso de lixívia no tratamento da água. “Usamos lixívia para evitar algumas doenças”, contou.
Outro morador, Adriano Mawango, lamentou as dificuldades enfrentadas pela população, sublinhando que muitos residentes percorrem longas distâncias para obter água potável. “Temos de ir a outros bairros à procura do precioso líquido, e a situação torna-se ainda mais difícil com a ausência de um camião-cisterna na nossa zona”, afirmou.
Durante a visita à localidade, Felismina Bernardo, uma adolescente de 14 anos que lavava roupa, relatou que a falta de chuvas no mês de Janeiro está a agravar a situação, uma vez que a vala utilizada para a recolha de água está a secar. Sem alternativas, a jovem admitiu que a comunidade continua a consumir aquela água, apesar dos riscos.
“Sabemos dos perigos, estamos sujeitos a infecções e outras doenças, mas precisamos da água. O que fazer?”, questionou.
Por sua vez, um funcionário sénior da Administração Municipal do Dande revelou que a instituição dispõe apenas de um camião-cisterna para abastecer todo o município, facto que faz com que algumas zonas fiquem longos períodos sem acesso à água potável. Em relação ao bairro Paranhos, a fonte, que preferiu manter o anonimato, esclareceu que a localidade dificilmente passa um mês inteiro sem receber algum abastecimento, embora reconheça que o serviço é irregular.
