Os casos recorrentes de fuga à paternidade, violência doméstica e até abuso no seio familiar continuam a preocupar as autoridades na província do Bengo. A informação foi avançada pelo director provincial do Instituto Nacional da Criança (INAC), Luciano Chila, por ocasião do Dia do Pai, assinalado na quinta-feira, 19 de março.

De acordo com Luciano Chila, apenas no primeiro trimestre do ano foram registados 22 casos de violência, o que demonstra a urgência de reforçar a intervenção das autoridades e sensibilizar a população.

O director destacou ainda que muitos casos de abandono paterno envolvem cidadãos de diversos sectores da sociedade, incluindo membros das Forças Armadas, agentes da polícia e professores. Nesse sentido, defendeu a importância da denúncia e responsabilização dos infractores.

O responsável chamou a atenção para a necessidade de maior responsabilidade por parte dos pais e encarregados de educação no acompanhamento dos filhos. Segundo ele, ser pai vai muito além de gerar uma criança, implicando presença activa, transmissão de valores e compromisso diário com o bem-estar da família.

De acordo com Luciano Chila, apenas no primeiro trimestre do ano foram registados 22 casos de violência, o que demonstra a urgência de reforçar a intervenção das autoridades e sensibilizar a população.

Para Luciano Chila, o verdadeiro pai é aquele que cuida, educa e acompanha o crescimento dos filhos, apelando a uma mudança de comportamento que contribua para famílias mais estáveis e uma sociedade mais justa.

Entretanto, algumas crianças partilharam experiências marcadas pela ausência paterna. Paulo Domingos, de 12 anos, estudante da 5.ª classe, manifestou a sua tristeza:

“Quando vejo outras crianças com os seus pais, penso sempre no meu pai, que nunca cheguei a conhecê-lo porque nunca me quis como filho. Meus amigos falam dos pais deles, mas eu fico sempre em silêncio, porque não sei o que dizer.”

Já Doroteia Luís, de 14 anos, afirmou: “Antes, o meu pai não nos apoiava. Depois de a minha mãe apresentar queixa no INAC, começámos a receber apoio financeiro. Mas ainda nos falta o amor de pai. Gostaríamos apenas de ouvir: ‘filhas, estou aqui’, nem que fosse uma única vez.”

Na óptica da professora Amélia Capita, nenhuma mãe deseja afastar o pai dos filhos, mas reconhece que não se pode obrigar alguém a amar. A docente aproveitou a data para apelar aos pais angolanos a não abandonarem os filhos, destacando a importância da figura paterna na educação.

Segundo ela, a ausência do pai pode contribuir para problemas sociais, como a prostituição juvenil e a delinquência, devido à falta de orientação e acompanhamento.

Por: Por:Sílvia Mário