A estiagem que tem afectado grande parte das províncias de Angola está a preocupar os camponeses de subsistência na cidade de Caxito, província do Bengo. A actividade agrícola, que sustenta a maioria das famílias através de lavras e cooperativas dedicadas à produção de diversos produtos como banana, mandioca, feijão, batata-doce, entre outros, enfrenta actualmente um momento difícil.
Com o aproximar do fim da época chuvosa, os camponeses reclamam da escassez de chuvas. Muitos produtos que normalmente seriam colhidos neste período estão a morrer devido ao sol intenso e à falta de rega natural.
Joana Lopes, camponesa e mãe de seis filhos, afirmou que nesta fase do ano já estariam a colher produtos como mandioca, batata-doce, ginguba e milho. No entanto, os seus anos de experiência na agricultura não lhe trazem esperança para esta campanha agrícola. Segundo ela, a família poderá enfrentar momentos difíceis, pois culturas como milho, mandioca e ginguba dependem de chuvas frequentes para o plantação e desenvolvimento.
Para Isaura Napoleão, a situação é ainda mais complicada. A camponesa trabalhou quase um hectare de terra, pagou trabalhadores e deixou o terreno preparado para a plantação, aguardando apenas pela chuva, que até agora não chegou. Com tristeza, relatou que algumas tentativas de plantação fracassaram: várias plantas sofreram queimaduras provocadas pelo sol e acabaram por secar. A batata-doce também foi afectada, apodrecendo no solo e deixando-a sem produção este ano.
A falta de chuvas também tem impactado jovens que dependem da agricultura como profissão. O jovem Léo, por exemplo, trabalhava numa fazenda no município do Úcua, mas devido à seca foi obrigado a deslocar-se para Caxito em busca de fazendas que utilizem sistemas de rega artificial, já que no local onde trabalhava a produção tornou-se inviável.
Segundo ele, a rega tem sido a única alternativa para manter alguma produção. “Não estamos a conseguir produzir nada sem as chuvas. O que tem ajudado é a rega. Às vezes o motor avaria e somos obrigados a regar com baldes. Nesse momento estamos a passar mal”, explicou.
Outro jovem camponês, Agostinho, também manifestou preocupação com a seca e com a perda de produtos já plantados. Entre as culturas mais afectadas estão o milho e a ginguba.
A situação chamou igualmente a atenção do bispo de Caxito, Dom Maurício Agostinho Camuto. Numa das suas intervenções homiléticas recentes, o prelado referiu-se ao problema da seca e à falta de iniciativas para apoiar os agricultores.
Segundo o bispo, faltam esforços por parte das entidades responsáveis para disponibilizar meios como motobombas que permitam levar água aos campos agrícolas para irrigação. Ele alertou que, diante da situação actual, a fome poderá aumentar numa região que possui abundância de recursos hídricos.
“Há seca na nossa terra, uma terra cheia de rios. A água é a nossa maior riqueza”, destacou.
Por : Domingos Piriquito
