Moradores de várias zonas críticas nos municípios do Cazenga, Viana e Kilamba Kiaxi, em Luanda, continuam a pedir apoio urgente às autoridades depois que chuvas fortes provocaram inundações, destruição de bens e deixaram dezenas de famílias desalojadas.
Segundo dados atualizados das autoridades, as chuvas já causaram cerca de 30 mortos, além de dezenas de famílias desalojadas. Centenas de casas foram inundadas ou parcialmente destruídas, com perdas materiais significativas, incluindo a perda total de bens essenciais.
No Cazenga, as áreas mais afetadas incluem a Rua da Quizanga, Rua dos Românticos, Largo dos Porcos e Rua do Hospital da Somague. Em Viana, os locais mais impactados são as bacias da Comarca, Taki e Vila Nova, com ponto de encontro ao longo da Estrada Nacional 230, no início do muro da Comarca. No Kilamba Kiaxi, os bairros Aníbal Rocha e as ravinas da Pia Marta registraram altos níveis de destruição.
Entre as vítimas, Maria Tubia descreve momentos de desespero depois de perder tudo o que tinha. Está atualmente a viver ao relento com os sete filhos.

Centro Infantil localizado no bairro Soba Kapassa não foi poupado pela chuva.
“O que piorou as coisas foi essa obra inacabada. A bacia de retenção não aguentou a quantidade de água e ela entrou nas nossas casas, derrubando o meu muro. Ficamos sem acesso porque a casa encheu de água. As crianças escaparam pelo telhado. Graças a Deus, os vizinhos nos ajudaram.”
Outro morador, António João, alerta para a necessidade urgente de melhorar as obras dos canais de drenagem no bairro, temendo novos prejuízos nas próximas chuvas.
“Se fizerem um trabalho como deve ser nesse canal de drenagem, acho que as coisas melhoram. Se não consertarem, vamos continuar a passar por isso sempre que chover. Antes, isso não acontecia quando chovia. O bairro alagava, mas não com essa intensidade.”
O governador de Luanda, Luís Nunes, visitou na terça-feira algumas das áreas afetadas, onde avaliou os estragos causados pelas chuvas e recebeu informações atualizadas sobre a extensão da destruição.
Os moradores reforçam os apelos por intervenção urgente do governo, incluindo assistência humanitária, reassentamento e soluções estruturais eficazes para evitar novas tragédias.
