As chuvas que caem com regularidade ao longo do mês de Abril estão a devolver esperança e alimento às famílias camponesas em Caxito, província do Bengo, após um período de estiagem que chegou a ameaçar seriamente o ano agrícola.

Dependentes da agricultura de subsistência, muitos camponeses enfrentaram meses de incerteza devido à falta de precipitação. No entanto, com a terra novamente húmida e os campos a ganharem vida, o cenário começa agora a inverter-se.

Eva Domingos, camponesa de 55 anos, conta que já retomou o cultivo de produtos como milho, batata-doce, mandioca, abóbora e jimboa. Há semanas, não acreditava que ainda fosse possível recuperar a época agrícola. Hoje, descreve a mudança como uma “obra divina”.

“Estou a sobreviver da venda de produtos como rama, quizaca e jimboa, que só crescem com chuvas regulares”, afirmou.

Também Isaura Napoleão vê renascer as expectativas. Com o milho já em fase de germinação, aguarda pela continuidade das chuvas para avançar com outras culturas, como a batata-doce. Ainda assim, alerta para os efeitos do atraso da época agrícola, sublinhando que culturas como o feijão podem não ser plantadas caso as chuvas não se mantenham até ao final do mês.

A melhoria das condições climáticas já se reflete na produção. Produtos como a quizaca começam a surgir em maior quantidade, garantindo rendimento e alimentação às famílias, além de abastecerem mercados da província de Luanda.

Isabel Carlos reforça o impacto direto das chuvas no seu sustento: “Se não fossem as chuvas deste mês de Abril, não teria como alimentar os meus filhos. Quando começou a chover, fiquei muito feliz, e hoje já se vê tudo a crescer”.

Abril marca, geralmente, o fim do período de chuvas mais intensas em Angola. Com a aproximação do cacimbo — caracterizado por temperaturas mais baixas e ausência de precipitação —, os camponeses correm contra o tempo para aproveitar ao máximo a humidade do solo e garantir a produção agrícola.

Por: Domingos Piriquito