A retirada indevida de carteiras escolares nas instituições públicas do município do Panguila, província do Bengo, continua a preocupar as autoridades locais. O fenómeno tem comprometido seriamente o normal funcionamento das escolas, transformando bens públicos em mobília doméstica e prejudicando directamente milhares de alunos.

Texto de Sílvia Mário

Perante a gravidade da situação, a Administração Municipal do Panguila, em coordenação com o Gabinete Municipal da Educação e o Comando Municipal da Polícia Nacional, realizou durante o mês de Janeiro a segunda fase da operação denominada “Porta a Porta”, com o objectivo de recuperar os materiais desviados e sensibilizar a população para a preservação do património público.

Segundo relatos de moradores, muitas pessoas retiraram carteiras das escolas para uso doméstico, mesmo tendo consciência de que se tratam de bens pertencentes ao Estado. Há ainda casos de cidadãos que adquiriram ou receberam carteiras roubadas, contribuindo para o agravamento do problema.

O munícipe Zanze Nicolau condenou a prática, sublinhando que as carteiras devem servir exclusivamente aos alunos. Alertou, igualmente, para as consequências do roubo, afirmando que várias crianças continuam a assistir aulas sentadas no chão devido à escassez de mobiliário escolar. “A minha filha estuda na escola n.º 346, Amiga da Criança, e não há carteiras”, lamentou.

Por sua vez, Dona Quitussa, também residente no Panguila, considerou a iniciativa da Administração Municipal louvável e defendeu a continuidade da campanha Porta a Porta como forma de sensibilizar a população para a valorização e preservação dos bens públicos.

O Director Municipal da Educação no Panguila, Narciso Maquiesse, afirmou que desde o início do ano lectivo o município enfrenta sérias dificuldades devido à falta de carteiras, situação que compromete o rendimento escolar e o funcionamento regular das instituições de ensino.

De acordo com dados avançados pelas autoridades locais, durante a campanha foram recuperadas mais de 70 mesas e mais de 60 cadeiras. As escolas mais afectadas são o Complexo Escolar Amiga da Criança (vulgo Amarelinha), o Complexo Escolar dos Cacussos, a Escola João Bernardo de Miranda e a Escola Prado de Sousa Paim.

As autoridades alertam ainda que, para além das carteiras, os malfeitores aproveitam a falta de segurança em algumas escolas para roubar janelas, portas, fios eléctricos e até sanitas. O município do Panguila controla actualmente 48 escolas, das quais 21 são públicas, 6 mistas (público-privadas) e as restantes privadas.