A Vila da Muxima, no município da Quissama, província do Icolo e Bengo, vive um dos momentos mais marcantes da sua história recente. Conhecida como o “coração espiritual de Angola”, o destino religioso que anualmente atrai milhares de fiéis católicos está em plena transformação urbana e social, transformado num verdadeiro canteiro de obras de grande impacto que prometem mudar a paisagem e a realidade local.
No centro dessas mudanças e transformações da pequena vila está a construção da Basílica de Nossa Senhora da Muxima, pertencente à Conferencia Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), uma das maiores estruturas religiosas projectadas em Angola e promessa eleitoral na campanha de João Lourenço em 2022. O empreendimento em construção foi desenhado para acolher centenas de milhares de peregrinos que acorrem ao santuário. A infra-estrutura simboliza a importância da fé dos católicos no país e reforça o papel da vila como o maior santuário católico nacional.
Com a basílica surge também a requalificação urbana como resposta ao crescimento do número de fiéis, que até hoje se concentram na pequena igreja erguida no século XVI. A obra, de grande dimensão, está a ser vista por muitos como um marco de modernidade e devoção, mas também levanta debates sobre os custos sociais e urbanísticos da vila.
Um dos pontos mais sensível deste processo é o realojamento dos populares que viviam nos arredores de onde está a ser erguida a infra-estrutura. Centenas de famílias estão a ser transferidas para novo bairro habitacional na parte alta da localidade, construído para garantir condições dignas de moradia.
Se por um lado o realojamento trouxe a promessa de casas novas e modernas, com acesso a serviços básicos, por outro há relatos de desafios na adaptação, sobretudo ligados à distância em relação a vila, às oportunidades de sustento e a quebra de laços comunitários que há décadas definiam a vida social da Muxima com o convívio entre os moradores e os peregrinos. Levantam-se também reclamações de moradores que não foram cadastrados para beneficiarem das residências construídas. As autoridades têm um plano de loteamento de terrenos para construção dirigida destes moradores que não foram cadastrados supostamente por surgirem na zona após o recenseamento que teve lugar em 2014, segundo apuramos.
Entretanto, dados não apurados das autoridades locais estimam a existência de 621 famílias que serão realojadas para a urbanização do Coxi, bairro onde estão a construir parte dessas residências. A nossa fonte adianta ainda que cerca de 700 casas do tipo T3 deverão estar concluídas até Dezembro deste ano para o realojamento em curso das famílias afectadas.
A primeira pedra da construção da Basílica foi lançada em 19 de julho de 2022 para o projecto de requalificação urbana da vila a ser edificada numa área de 18 mil metros quadrados. Terá capacidade para acomodar pelo menos quatro mil e 600 pessoas sentadas, uma praça pública com capacidade de 200 mil devotos e outras cinco mil dentro do santuário. A requalificação prevê também construção de unidades hoteleira na zona, espaço para acampamento e outros serviços complementares na zona.
O presidente da República João Lourenço autorizou, por despachos, em 2018, para a requalificação da vila e do santuário um orçamento total de 91 mil, 620 milhões, 393 mil e 916 kwanzas equivalente em dólar.
O santuário da Muxima é o maior centro de adoração de fiéis católicos em Angola e acolhe anualmente uma peregrinação com centenas de milhares de cristãos dessa religião. Está localizada à margem do rio Kwanza, no município da Quiçama. O local foi ocupado pelos portugueses em 1589 que, dez anos depois, construíram uma fortaleza e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, também conhecida como “Mamã Muxima”.
