A falta de educação ambiental continua a ser um dos principais desafios no bairro Bambuca, em Caxito, onde a fraca sensibilização sobre reciclagem, redução do uso de plásticos e gestão adequada de resíduos tem contribuído para o agravamento de problemas ambientais.
Um dos cenários mais preocupantes é a má gestão de resíduos sólidos, visível na acumulação de lixo ao longo do dique de protecção do rio Dande, sobretudo nas encostas da zona ribeirinha. A situação intensifica a poluição e representa riscos sérios para o meio ambiente e para a saúde pública.
Em várias zonas de Angola, especialmente em áreas costeiras e ribeirinhas, a poluição tem sido impulsionada pela acção humana aliada à insuficiência na recolha de lixo. No Bambuca, moradores apontam a falta de contentores e a recolha irregular de resíduos como factores críticos.
Aldaír, residente no bairro, descreve um cenário preocupante. Segundo ele, viver próximo ao lixo acumulado tem sido difícil, agravado pela inexistência de contentores suficientes. O morador alerta ainda para o facto de algumas pessoas utilizarem água da zona para banho, lavagem e até consumo, aumentando os riscos sanitários.
Dona Ana, também residente, reconhece a existência de alguns contentores, mas considera-os insuficientes e mal distribuídos, deixando grande parte da comunidade sem acesso adequado.
O presidente da comissão de moradores, João Raimundo, afirma que as autoridades comunais e municipais já têm conhecimento da situação, incluindo a escassez de contentores e a demora na recolha de resíduos.
Entretanto, o Ministério do Ambiente tem promovido iniciativas como a campanha nacional “Praias e Rios Limpos”, lançada em 2025, com foco na preservação dos ecossistemas aquáticos. As medidas incluem o combate à poluição por plásticos, o reforço da recolha de resíduos e a promoção da educação ambiental.
Diante deste cenário, especialistas e moradores defendem o reforço urgente da sensibilização comunitária e a implementação de práticas sustentáveis, aliadas a uma intervenção mais eficaz das autoridades, como caminho para melhorar a qualidade de vida no bairro.
Texto de Ricardo Gomes
