O bairro Bambuca, em Caxito, tem registado nos últimos tempos um aumento preocupante de actos de vandalização de bens públicos, incluindo torneiras, cabos e cabines eléctricas. As acções, para além de degradarem a imagem da localidade, comprometem directamente o acesso a serviços essenciais e agravam as condições de vida dos moradores.

De acordo com o presidente da comissão de moradores, João Raimundo, a origem do problema está ligada à insatisfação social, ao sentimento de exclusão e, sobretudo, à falta de oportunidades de emprego entre os jovens da comunidade. O responsável alerta para o impacto crescente destes comportamentos no quotidiano da população.

“Estamos preocupados com a situação. Estes actos prejudicam todos nós e travam o desenvolvimento do bairro”, afirmou.

Moradores apontam ainda para o envolvimento de adolescentes e jovens nestas práticas. Marlene António, residente na zona, considera que o fenómeno resulta não apenas das dificuldades económicas, mas também da falta de educação cívica e de perspectivas para o futuro.

Perante o cenário, João Raimundo apela à consciência colectiva, defendendo maior responsabilidade por parte dos envolvidos. “Precisamos trabalhar juntos para melhorar o bairro e preservar o que é de todos”, sublinhou.

O líder comunitário defende igualmente uma intervenção mais firme das autoridades, com reforço da vigilância, responsabilização dos infractores e aplicação de sanções adequadas.

Entretanto, o Executivo angolano prepara uma nova proposta de Lei dos Crimes de Vandalismo de Bens e Serviços Públicos, segundo avançou o Novo Jornal.

A iniciativa surge após o Tribunal Constitucional declarar inconstitucionais 14 normas da legislação anterior. Entre as principais alterações está a redução da pena máxima, que passa de 25 para 15 anos de prisão.

O diploma deverá ser submetido em breve à apreciação do Conselho de Ministros, embora ainda não haja uma data definida para o processo.

Texto de Elizabete Manuel