Moradores da zona da Ponte Partida, no Mirú, em Luanda, manifestam preocupação com a presença constante de vendedeiras ambulantes que comercializam produtos sobre a linha férrea, prática considerada perigosa e que pode colocar várias vidas em risco.

Diariamente, várias mulheres instalam-se ao longo da via para vender diferentes produtos, desde frutas e bolos até bebidas e outros alimentos. Segundo a comunidade, a situação tornou-se comum e ocorre sobretudo nas horas de maior movimento, quando muitas pessoas passam pelo local para ir ao trabalho ou regressar a casa.

Um morador da área, que preferiu não se identificar, afirmou que a prática é arriscada e que já houve momentos de grande tensão quando o comboio se aproxima.

“Todos os dias vemos essas senhoras a vender mesmo em cima da linha. Quando o comboio aparece, elas correm rapidamente para retirar os produtos. É uma situação muito perigosa e qualquer dia pode acontecer uma tragédia”, alertou.

Outro residente da Ponte Partida, no Mirú, disse que a situação preocupa especialmente as famílias com crianças que circulam pelo local.

“Temos medo porque as crianças também passam por aqui. Às vezes param para comprar alguma coisa e acabam por ficar muito perto da linha. Isso pode causar um acidente grave”, explicou.

Por sua vez, as vendedeiras reconhecem o perigo, mas afirmam que a falta de oportunidades de trabalho as obriga a procurar qualquer espaço onde possam vender e garantir o sustento das suas famílias.

Uma das comerciantes ambulantes explicou que, apesar do risco, aquele é um dos poucos locais onde conseguem atrair clientes.

“Sabemos que é perigoso, mas não temos outro lugar para vender. Aqui passam muitas pessoas e conseguimos vender alguma coisa para levar comida para casa”, contou.

Outra vendedeira disse que, quando o comboio se aproxima, retiram rapidamente os produtos da linha, mas voltam logo depois para continuar as vendas.

“Quando ouvimos o comboio, tiramos rapidamente as bacias e afastamo-nos um pouco. Depois que passa, voltamos a vender porque precisamos trabalhar”, afirmou.

Entretanto, agentes da Polícia Nacional de Angola que patrulham a área reconhecem que a venda na linha férrea representa um perigo e afirmam que a prática não é permitida por colocar vidas em risco.

Um agente destacado na zona explicou que as autoridades têm realizado acções de sensibilização para afastar as vendedeiras do local.

“Temos feito um trabalho de sensibilização para que essas senhoras não vendam na linha férrea, porque isso pode causar acidentes graves. A linha é uma zona de circulação do comboio e deve estar livre”, disse.

Apesar dos alertas, a prática continua a ser registada diariamente na Ponte Partida, no Mirú. Moradores apelam a uma solução por parte das autoridades, sugerindo a criação de um espaço adequado onde as vendedeiras possam exercer as suas actividades sem colocar as suas vidas em risco.

Enquanto uma solução definitiva não surge, o comércio informal na linha férrea continua a ser uma realidade, refletindo as dificuldades económicas enfrentadas por muitas famílias e os desafios de organização do espaço urbano na cidade de Luanda.