A vala de irrigação situada na zona limítrofe entre o bairro Riceno e o mercado do Kawango, principal centro de comércio informal da província do Bengo, está a ser utilizada como depósito de resíduos sólidos, incluindo animais mortos.

A situação tem gerado grande preocupação entre os moradores e impacta negativamente tanto os residentes quanto os transeuntes. Com o aumento do volume de água na vala, os resíduos acumulam-se junto à ponte que liga as duas zonas, bloqueando a passagem da corrente e agravando os problemas ambientais. O mau cheiro tornou-se constante nos arredores.

Segundo relatos de populares, o cenário representa uma séria ameaça à saúde pública. A moradora Adriana José manifestou-se apreensiva com a presença frequente de crianças que utilizam o local como espaço de lazer, chegando mesmo a banhar-se na água contaminada.

«É um grande factor de risco, porque as crianças podem contrair várias doenças», afirmou a moradora.

Adriana denunciou ainda que algumas comerciantes do mercado do Kawango utilizam a água da vala para lavar verduras destinadas à venda, apesar da presença visível de lixo e animais em decomposição.

Por seu turno, Osvaldo Gomes e Bernardo João classificaram a situação como caótica e defenderam uma mobilização conjunta, com liderança da Administração Municipal e participação activa da comunidade.

«É necessário que sejam feitas limpezas periódicas para evitar este tipo de situação. O lixo é, em grande parte, depositado por nós próprios enquanto moradores», reconheceram os dois cidadãos.

O Perímetro Irrigado de Caxito, localizado a cerca de 60 quilómetros de Luanda, na margem direita do rio Dande, tem como objectivo principal fomentar a produção agrícola intensiva — sobretudo de banana — visando a autossuficiência alimentar, o abastecimento do mercado de Luanda e a redução das importações em Angola. A degradação da infraestrutura de irrigação compromete, contudo, a funcionalidade do sistema e coloca em risco a própria produção agrícola da região.

Por Domingos Piriquito