O Marco Histórico do município do Cazenga, localizado numa das zonas mais emblemáticas da circunscrição, encontra-se em avançado estado de degradação, gerando profunda preocupação entre os moradores. A população denuncia o abandono prolongado do espaço e o seu uso recorrente como esconderijo de marginais, transformando um símbolo de memória nacional num ponto crítico de risco.

Inaugurado em 2005 para homenagear os heróis do 4 de Fevereiro — data marcante da luta de libertação nacional —, o monumento representou na época um investimento público estimado em cerca de cinco milhões de dólares norte-americanos. Concebido para celebrar a memória e a identidade histórica da população local, hoje apresenta um cenário desolador.

A estrutura exibe sinais evidentes de abandono: a vedação está destruída em diversos pontos, as placas comemorativas foram vandalizadas, os jardins encontram-se tomados pelo mato e vários mosaicos foram arrancados, deixando buracos que colocam em risco quem circula pelo local. À noite, a ausência de iluminação agrava a situação, convertendo o espaço num reduto de insegurança.

População vive sob constante ameaça

Os residentes das imediações afirmam viver com medo, sobretudo no período noturno. Segundo relatos unânimes, o local tem sido utilizado por indivíduos para a prática de atividades ilícitas, afastando famílias, crianças e eventuais visitantes.

Maria da Conceição, moradora da zona há mais de 20 anos, lamenta a transformação do monumento: *”Isso aqui era um lugar bonito, onde a gente vinha com os filhos aprender sobre a nossa história. Hoje ninguém passa aqui à noite, porque virou esconderijo de marginais. É triste ver um símbolo tão importante nesse estado.”*

Na mesma linha, António Paulo, jovem estudante da região, destaca o impacto na rotina da juventude: *”Quando saímos da escola ou do trabalho ao fim do dia, evitamos passar por aqui. Já houve assaltos e situações estranhas. Um monumento que devia ensinar patriotismo agora inspira medo.”*

Silêncio institucional aprofunda a crise

Além da insegurança, os moradores denunciam a ausência de manutenção contínua por parte das autoridades competentes. Para muitos, o desinteresse institucional acelera a degradação do património público e sinaliza desvalorização da história local.

João Mateus, vendedor ambulante que trabalha nas proximidades, critica a falta de zelo: *”O governo gastou muito dinheiro para construir isso, mas depois esqueceu. Se estivesse conservado, atraía visitantes e ajudava até no comércio. Agora só serve para esconder gente mal-intencionada.”*

Helena Domingos, mãe de três filhos, reforça o impacto social: *”As crianças não têm onde brincar nem aprender sobre os heróis do país. Um espaço que devia educar está a ensinar o contrário: o descuido e o abandono.”*

Apelo por respeito e reabilitação urgente

Diante do quadro de degradação, os moradores exigem intervenção imediata: reforço da segurança, instalação de iluminação pública, recuperação dos jardins e reposição das placas e mosaicos danificados. Para a comunidade, o Marco do Cazenga precisa recuperar seu papel como património histórico, cultural e potencial atrativo turístico.

Carlos Manuel, líder comunitário da área, dirige um apelo direto às autoridades: *”Não estamos a pedir luxo, estamos a pedir respeito pela nossa história. O Marco do Cazenga precisa de reabilitação, vigilância e manutenção. É um dever com os heróis do 4 de fevereiro e com a população.”*

Enquanto aguardam uma resposta institucional, os moradores veem no monumento degradado um retrato cruel do abandono do património público — um alerta urgente sobre a necessidade de maior compromisso das autoridades na preservação da memória histórica e na garantia da segurança dos munícipes.

Texto de Sílvio Francisco