Regista-se a inexistência de serviços básicos no bairro Ombembwa, município do Panguila, província do Bengo. Entre as principais preocupações da população constam a falta de água potável, vias de acesso degradadas, ausência de segurança pública, escassez de transportes e problemas ligados ao acesso à educação.

Texto de Evânia dos Anjos

É notória a precariedade que assola a comunidade de Ombembwa. Quem ali vive demonstra, desde logo, um semblante de descontentamento, reflectindo uma população aparentemente entregue à própria sorte face à dura realidade social.

Falta de água potável

Tia Verónica, moradora do bairro há cerca de seis anos e mãe de quatro filhos, mostrou-se indignada com a situação e apelou às autoridades locais para que intervenham na melhoria das condições de vida. “Também somos filhos desta nação. Não merecemos passar por tudo isto. Velem pelo nosso sofrimento”, implorou.

Segundo a moradora, a população é obrigada a recorrer a tanques de água, onde cada bidão custa entre 100 e 150 kwanzas, enquanto duas bacias são adquiridas por cerca de 250 kwanzas.

Acesso ao ensino comprometido

Elisa Mwanza, de 17 anos, abandonou os estudos precocemente por falta de condições financeiras. A jovem passou a auxiliar a mãe, comerciante informal, vendendo à beira da estrada, expondo-se diariamente a diversos riscos para garantir o sustento da família.

Por sua vez, Ana Kapita Miguel, de 21 anos, estudante da 11.ª classe no curso de Enfermagem, considera que viver em Ombembwa representa um atraso de vida, devido à ausência de condições mínimas de habitabilidade. A estudante lamenta ainda a situação das crianças que, todos os anos, ficam fora do sistema de ensino sem aprender a ler e escrever.

Insegurança crescente

Apesar da pobreza extrema, a criminalidade tem-se agravado na localidade. Os moradores relatam furtos e assaltos frequentes na via pública, tanto durante o dia como à noite, havendo casos em que as vítimas acabam por perder a vida.

De acordo com Elisa Mwanza, os assaltantes na sua maioria jovens residentes no bairro ou provenientes de zonas adjacentes têm como principais alvos motorizadas, telemóveis, dinheiro, bens alimentares, residências e pequenos estabelecimentos comerciais. A população queixa-se da ausência de policiamento e reivindica a construção de uma esquadra policial.

Vias de acesso e transportes precários

O transporte por motorizadas tem sido a principal alternativa para a população, permitindo o acesso a zonas onde os automóveis não conseguem circular. O serviço é feito por motos de duas ou três rodas, o que dificulta a deslocação de quem precisa chegar à baixa da cidade ou seja em Luanda.

Durante a época chuvosa, a situação torna-se ainda mais crítica devido ao mau estado das vias de acesso, o que afasta os moto-taxistas, aumenta os preços e deixa a população sem opções de transporte.

Bernardo Barros, moto-taxista há cerca de dois anos, informou que um grupo de moradores dirigiu-se recentemente à administração local em busca de esclarecimentos, mas sem resultados práticos.

“Disseram-nos para nos dirigirmos à comissão de moradores e não à administração municipal. A administração está ciente dos problemas, mas a comissão, à qual reportamos as inquietações, não dá o devido tratamento”, lamentou.

A equipa de reportagem deslocou-se às instalações da comissão de moradores do bairro, onde o responsável recusou-se a prestar declarações, alegando falta de autorização, tendo inclusive desejado de forma irónica um “bom regresso a casa”.

Importa referir que, apesar dos inúmeros problemas enfrentados pela comunidade, o fornecimento de energia eléctrica é contínuo, funcionando 24 horas por dia. No entanto, a iluminação pública continua deficiente, contribuindo para o aumento da insegurança.