A actual situação económica do país tem levado muitas famílias, sobretudo jovens, a enfrentarem sérios desafios no acesso ao emprego. Perante a escassez de vagas nos concursos públicos e a limitada capacidade de absorção do sector privado, que não consegue responder às necessidades de grande parte da população activa, muitos jovens têm encontrado no empreendedorismo uma alternativa de sobrevivência.

É neste contexto que se insere a história de Domingos Leitão Ribeiro, de 29 anos de idade, residente no bairro Mubungo, em Caxito, província do Bengo. Inconformado com as políticas de empregabilidade vigentes, Ribeiro descobriu a sua veia empreendedora no ramo da beleza feminina, uma área tradicionalmente associada às mulheres. Para seguir a sua paixão, teve de vencer o preconceito social e apostar na formação profissional, tendo frequentado, em 2019, um curso de cabeleireiro num centro de formação profissional.

“Comecei a ganhar essa paixão quando vi, pela primeira vez, jovens como eu na praça do Kikolo a aplicar pestanas e unhas. Aquilo serviu de motivação. Como pai, não pensei duas vezes, pois tenho a obrigação de sustentar a minha família. Foi assim que decidi abrir o meu salão de beleza”, explicou.

Apesar do sucesso da iniciativa, Domingos Ribeiro afirma que tem sido alvo de preconceito no seio da comunidade desde que abraçou esta profissão.

“O preconceito vem tanto de homens como de mulheres, que dizem que este trabalho não é para o sexo masculino. Chegam mesmo a chamar-me de ‘panina’”, lamentou.

Recorde-se que o Governo angolano tem incentivado os jovens a apostarem no empreendedorismo como alternativa ao desemprego, ao mesmo tempo que apela aos empresários para criarem mais oportunidades de trabalho, reconhecendo que o Estado não tem capacidade para empregar toda a população jovem.

Texto de Domingos Piriquito