A elevada ocupação habitacional está a impedir a construção de infraestruturas sociais no bairro Kinguxi, no centro da cidade de Caxito, capital do Bengo. Sem escola pública nem posto médico, os moradores enfrentam dificuldades para aceder a serviços básicos.
Segundo o presidente da Comissão de Moradores, João Sebastião Gouveia Leite, a ausência desses serviços deve-se, sobretudo, à falta de terrenos livres na zona.
“Quanto aos serviços sociais, o bairro não dispõe de escolas nem de posto médico. Sabemos que o Governo tem o projeto de construção de uma escola, mas é preciso localizar o espaço. E isso está difícil, porque o bairro é muito habitado”, explicou.
Com o arranque do ano letivo 2026/2027, muitas crianças poderão ser obrigadas a estudar em escolas privadas ou recorrer a explicações.
“Aqui não temos escolas. O que tem ajudado são as explicações. Dentro de Caxito não temos colégios; tudo está no Panguila ou no Capari”, lamentou a moradora Maria Cândido.
Bairro tranquilo, mas carente de serviços
Apesar das carências, a delinquência não é vista como o principal problema. O líder comunitário garante que o Kinguxi mantém um ambiente calmo.
“Nós aqui não temos grupos de gangs, não temos aqueles meninos que lutam. Têm acontecido alguns incidentes, como em qualquer outro bairro, mas algo premeditado não tem espaço aqui”, afirmou João Sebastião.
História e cultura
Habitado desde 1907 a 1910 por famílias vindas do Ícau e da comuna das Mabubas, o Kinguxi deve o nome a Agostinho, um camponês respeitado na comunidade. O prefixo “Ki” foi associado a “Nguxi”, que significa Agostinho na tradição local.
O bairro é também terra de origem da família do músico angolano Bonga Kuenda. Alguns familiares do artista ainda residem na zona e grande parte dos terrenos pertence tradicionalmente à família Carvalho. O nome Kinguxi é, inclusive, citado em várias músicas de Bonga.
Com o crescimento urbano e a alta densidade populacional, os moradores defendem que o Governo encontre uma solução para disponibilizar espaço para escolas, unidades sanitárias e outras infraestruturas sociais.
Por: Domingos Piriquito
