Caxito – A Administração Municipal do Dande voltou atrás na decisão que impedia a realização de vendas às segundas-feiras no Mercado do Kawango, em Caxito, após várias reclamações dos comerciantes que alegavam prejuízos financeiros e dificuldades operacionais.
A medida, implementada há menos de um mês, tinha como objectivo permitir a limpeza e a manutenção do espaço, considerado um dos principais centros de comércio informal da província do Bengo. O mercado desempenha um papel importante no escoamento e abastecimento de produtos agrícolas para diversas localidades da região.
A suspensão das actividades comerciais às segundas-feiras gerou insatisfação entre os vendedores, sobretudo os que comercializam produtos perecíveis.
Com mais de cinco anos de actividade no mercado, a comerciante Juliana Nambwa reconhece a importância da limpeza, mas considera que a interrupção das vendas trouxe prejuízos.
“Ficar um dia sem vender acaba por ser um transtorno e uma perda considerável, principalmente para nós que trabalhamos com verduras e comida”, afirmou.
Também Amélia Nganda manifestou satisfação com o regresso das vendas às segundas-feiras. Segundo a comerciante, a continuidade da medida poderia afectar centenas de famílias que dependem do mercado para o seu sustento.
“Caso a decisão inicial continuasse, prejudicaria muitas pessoas. Além disso, o local alternativo era arriscado e corríamos o risco de sermos atropelados”, declarou.
A questão foi igualmente analisada pelo comentador Joaquim Tito, do programa “Boca do Bairro”, transmitido em directo através da plataforma LIVE. Na sua opinião, a medida representava apenas uma solução temporária para um problema que exige uma abordagem mais abrangente.
O comentador observou ainda que alguns comerciantes já deixam de trabalhar aos domingos por motivos religiosos ou de descanso, o que poderia resultar em até três dias consecutivos sem actividade comercial.
“A limpeza deve ser feita diariamente, tal como fazemos nas nossas casas, e não apenas uma vez por semana”, defendeu.
Por sua vez, Beatriz António, conhecida por Beth, garantiu que pretende colaborar activamente para a manutenção da limpeza do mercado, contribuindo para melhorar as condições do espaço.
A mesma posição foi defendida por um fiscal do mercado identificado apenas pelas iniciais H.P., que apelou ao cumprimento das normas de higiene por parte dos vendedores.
“Espero que todos colaborem activamente na limpeza do mercado, porque no final todos saímos a ganhar. Numa altura em que o país regista vários casos de cólera, devemos redobrar os cuidados”, alertou.
Em funcionamento há mais de dez anos, o Mercado do Kawango recebe diariamente vendedores e compradores provenientes de diferentes municípios do Bengo e de outras províncias, consolidando-se como um importante centro de comércio e abastecimento da região.
Por Edvânia dos Anjos
