A Administração Comunal de Canacassala, no município de Nambuangongo, província do Bengo, anunciou a implementação de medidas para impedir a continuação do garimpo ilegal de ouro, dias depois do desabamento de uma mina clandestina que provocou a morte de 29 pessoas.

Grande parte das vítimas era residente da comuna de Canacassala, sobretudo da aldeia de Kifula, onde foram realizados pelo menos 12 funerais. Outras vítimas pertenciam às localidades da sede comunal e Kissacala, deixando dezenas de famílias mergulhadas no luto.

Perante o cenário de dor e consternação, a administradora comunal, Isabel Marcelino, garantiu que o Governo Provincial do Bengo e a Polícia Nacional estão a reforçar acções para evitar novas tragédias associadas à exploração ilegal de ouro.

Segundo a responsável, equipas já foram enviadas para a zona da mina, onde as autoridades policiais mantêm vigilância apertada para impedir o acesso de novos garimpeiros. “Já não entra ninguém”, assegurou a administradora, citada pelo Novo Jornal.

Além das mortes confirmadas, dezenas de pessoas ficaram feridas durante o deslizamento de terras. Parte dos sobreviventes recebeu assistência médica no centro de saúde local, enquanto outros foram encaminhados para o Hospital Provincial do Bengo.

Após a tragédia, a Polícia Nacional desencadeou a operação “Fio de Ouro 2”, que resultou no desmantelamento de várias áreas de exploração clandestina nos municípios de Nambuangongo, Ambriz e Canacassala. A operação levou ainda à detenção de dezenas de suspeitos envolvidos na actividade ilícita.

Nos últimos meses, o garimpo ilegal de ouro tem vindo a crescer de forma preocupante no Bengo, mobilizando milhares de pessoas atraídas pela promessa de enriquecimento rápido, apesar dos riscos humanos, ambientais e sociais associados à actividade.

Moradores da região afirmam que a mina de Missaxi, onde ocorreu o desabamento, ganhou fama por possuir grande quantidade de ouro, o que atraiu jovens de várias aldeias da província.