O acúmulo de lixo em Caxito deixou de ser apenas um problema ambiental para transformar-se numa séria ameaça à saúde pública. Em meio ao surto de cólera que afecta o município do Dande, autoridades sanitárias manifestam preocupação com o comportamento de parte da população, que continua a ignorar medidas básicas de prevenção da doença.
Apesar dos alertas constantes, é comum encontrar crianças e adultos em contacto directo com resíduos e água imprópria para consumo.
Nelson, de 12 anos, passa parte do dia a brincar em zonas de lixo acumulado sem demonstrar preocupação com os riscos de contaminação.
Situação semelhante vive Eliseu, uma criança com aparentes sinais de autismo, que recolhe plástico diariamente sem qualquer tipo de protecção. O dinheiro obtido com a venda do material ajuda no sustento familiar e na compra de doces.
“Eu gosto de doces e também levo o dinheiro para casa para partilhar com a minha mãe”, contou enquanto manuseava resíduos expostos.
No bairro Mubungo, moradores denunciam a falta de água canalizada e o consumo frequente de água retirada directamente do rio, muitas vezes sem qualquer tratamento.
Maria Ribeiro Francisco afirma que várias famílias continuam dependentes daquela fonte para actividades domésticas.
Outra residente, identificada apenas por Mila, reconhece os perigos da epidemia, mas alerta para práticas consideradas de alto risco dentro da própria comunidade.
“A cólera existe sim. Muitas pessoas fazem necessidades no rio e, mesmo assim, continuamos a tomar banho e a consumir a mesma água”, lamentou.
Perante o aumento do risco de propagação da doença, a estudante de Enfermagem Feliciana Luís apelou ao reforço das medidas de higiene, sobretudo a lavagem frequente das mãos e o consumo de água tratada.
A estudante defendeu ainda melhorias urgentes no saneamento básico e maior acesso à água potável nas comunidades mais afectadas.
Entretanto, informações divulgadas pelo Gabinete de Comunicação da Administração Municipal do Dande, citadas pelo portal “Munga Notícias”, dão conta de que continuam em curso acções de sensibilização e prevenção contra a cólera em vários bairros do município.
Segundo a nota, análises realizadas pelo Instituto Nacional de Investigação em Saúde (INIS) confirmaram a presença do vibrião colérico em valas, lagoas e rios da região, situação que levou ao reforço das campanhas de educação sanitária.
No bairro Sassa-Povoação, moradores participaram recentemente em actividades de consciencialização sobre higiene, tratamento e consumo seguro da água. Durante a campanha, foram distribuídos comprimidos “Certeza” e hipoclorito para reforçar as medidas de desinfecção e prevenção da doença.
Texto: Maria da Gama
