O activista Kim de Andrade, natural de Nambuangongo, tornou público um relato detalhado sobre o desabamento da mina de Missaxi e acusou as autoridades locais e provinciais de abandono e negligência no socorro às vítimas.
No texto divulgado domingo, 25 de Maio, Andrade descreve que mais de 30 pessoas morreram soterradas quando um túnel de cerca de sete metros cedeu na mina ilegal. O número de mortos subiu para 42 no domingo, com a aldeia de Kifula entre as mais afetadas, relata o activista. Mas este número ainda não foi confirmado pelas autoridades.
O ponto central da denúncia é a ausência do Estado no momento do resgate e nas horas seguintes. Segundo Kim de Andrade, “não houve apoio das autoridades locais, do corpo civil de bombeiros do INEMA ou da Polícia Nacional”.
O trabalho de remoção dos corpos foi feito apenas pelos familiares, com meios artesanais.
Andrade afirma que a administração municipal de Nambuangongo e o Governo Provincial do Bengo prometeram disponibilizar viaturas para recolher os cadáveres.
A comunidade esperou até às 19h de sábado, mas os veículos não chegaram. Por volta das 20h, os familiares transportaram os corpos em carros ligeiros e carrinhas para as morgues de Bukula, Barra do Dande, Caxito, Cacuaco e Maria Pia, em Luanda.
O activista também denuncia um esquema de cumplicidade em torno do garimpo ilegal. Segundo ele, quando o pânico se instalou, “o alarme foi acionado a todos os compradores do precioso mineral estratégico ao ponto de se colocarem em fuga”.
Para Andrade, há envolvimento de “garimpeiros, compradores e algumas individualidades afetas aos órgãos de segurança do Estado, particularmente da Polícia Nacional”.
No relato, ele critica a resposta do poder público e afirma que a tragédia expõe a situação de vulnerabilidade das comunidades rurais de Bengo. “O meu povo baixou de divisão no que diz respeito à sua resiliência peculiar. Não se deixou derrotar pela guerra colonial nem pela guerra civil, mas acomodou-se à miséria”, escreveu.
O governo local determinou que os enterros ocorram até esta segunda-feira, 25 de Maio, e há uma promessa não confirmada de disponibilização de caixões pelo governo provincial.
Até ao momento, não houve pronunciamento oficial do Governo Provincial do Bengo sobre as denúncias feitas pelo activista.
Texto: Redacçao
